LUTO NO SAMBA

Portela está de luto: morreu um dos seus maiores compositores, Noca da Portela

O samba “É Preciso Muito Amor”, de autoria de Noca, foi um grande sucesso de Chico da Silva na década de 70.

Fotografia em plano médio do sambista Noca da Portela, um homem idoso e negro com um sorriso sereno e acolhedor. Ele veste uma camisa social azul-clara de mangas curtas e, sobre os ombros, carrega orgulhosamente uma toalha ou adereço com as cores azul e branca, símbolos de sua amada escola de samba, a Portela. Na cabeça, ele usa um clássico chapéu estilo panamá de cor branca com uma faixa preta, característico dos grandes malandros e sambistas cariocas. Seu rosto apresenta marcas de expressão que contam a história de seus 93 anos de vida dedicados à música. O fundo da imagem está levemente desfocado, sugerindo um ambiente festivo e cultural, possivelmente a quadra de uma escola de samba ou uma roda de samba ao ar livre. A iluminação é natural e destaca os tons calorosos de sua pele e o brilho em seus olhos, transmitindo uma sensação de sabedoria, carisma e um legado musical eterno. A composição da imagem exalta a figura imponente e, ao mesmo tempo, afetuosa de um dos maiores patrimônios da cultura e do Carnaval do Rio de Janeiro.
Mineiro de nascimento, Noca da Portela deixou um legado musical no universo do samba do Rio de Janeiro.
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Rio (RJ) ─ Faleceu no final da tarde deste domingo (17/05), aos 93 anos, o compositore intérprete Osvaldo Alves Pereira, Noca da Portela, um dos mais importantes e reverenciados sambistas do Rio de Janeiro. Ele faleceu no Hospital Assim Medical, no bairro de São Cristóvão, na Zona Norte da cidade. O velório será aberto ao público a partir das 8 horas da manhã desta segunda-feira, na quadra da Portela, sua escola de coração, que decretou luto de três dias.

Noca da Portela nasceu no município de Leopoldina, em Minas Gerais. Ainda criança, mudou-se com sua família para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro de São Cristóvão, onde entrou no universo musical, iniciando estudo de violão e teoria musical na Ordem dos Músicos do Brasil. Ele foi um dos fundadores da escola de samba Paraíso do Tuiuti.

Seu contato com a Portela se deu na década de 1960, a convite do compositor Paulinho da Viola, integrando a ala dos compositores da escola. Ele é considerado um dos maiores compositores de samba-enredo da escola, ao vencer sete disputas. Entre os sambas vitoriosos estão os de sua autoria: “Recordar é Viver” (1985), “Gosto que Me Enrosco” (1995), “Os Olhos da Noite” (1998) e “Imaginário, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal” (2015).

Além dos sambas-enredo, Noca da Portela compôs sambas eternizados, entre eles “É Preciso Muito Amor”, gravado pelo sambista e compositor de toadas amazonense Chico da Silva; “Portela Querida”, gravado pela falecida cantora Elza Soares; “Mil Réis”, composto em parceria com outro ícone do samba portelense, Candeia; e “Caciqueando”, um clássico que virou hino em rodas de samba.

O compositor amazonense e intérprete Chico da Silva fez sucesso na década de 70 com samba de Noca

Além do samba, Noca da Portela atuou na política. Exerceu o cargo de Secretário Estadual de Cultura do Rio de Janeiro (2006-2007), no governo de Rosinha Garotinho, e foi candidato a vereador nas eleições municipais de 2008.

As complicações de saúde tiveram início em abril, quando foi internado para tratar de uma infecção urinária. Em 9 de maio, seu quadro de saúde agravou ao contrair uma pneumonia adquirida no hospital; desde 10 de maio, com o agravamento dos sintomas, foi transferido para o Centro de Tratamento Intensivo.

Noca da Portela deixa dois filhos, sete netos, que se revezavam no acompanhamento no hospital, e três bisnetos.

HOMENAGENS
A morte comoveu o meio musical e, em especial, o universo do samba. Houve várias manifestações públicas pelo seu falecimento.

“Meu amigo de longa data, vá com Deus, grande Noca da Portela. Seu legado será lembrado eternamente, não só no samba, mas na cultura do nosso país”, disse Neguinho da Beija-Flor ao G1.

“Tive a oportunidade de gravar com ele em seu último trabalho. Que Deus o receba da mesma forma que o enviou à Terra, e que o samba bata palmas para ele, como merece. Salve Noca, salve o samba”, disse Xande de Pilares.

“Um dia muito triste para o samba e para a música popular brasileira. A gente está se despedindo de um dos grandes gênios da composição de samba, um dos maiores sambistas da nossa história. Tive o prazer de gravar ‘É preciso muito amor’. E, para a gente, é uma tristeza muito grande quando a gente perde um sambista desse tamanho, é uma nova estrela que vai brilhar no céu”, disse Dudu Nobre.

“Mais um sambista que pavimentou toda uma estrada para a gente estar aqui, sustentando essa bandeira e mantendo a chama acesa. Eu quero lembrar desse homem assim, sorrindo e cantando”, afirmou Diogo Nogueira ao g1.

“Meus pêsames aos familiares, amigos e ao Samba! Descanse em paz!”, declarou Carlinhos de Jesus.
A diretoria da Portela publicou nota lamentando a morte do compositor.

“Nota de pesar: o G.R.E.S. Portela lamenta, com profundo pesar, o falecimento do cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela, um dos grandes nomes da nossa história.

Osvaldo Alves Pereira, o Noca, chegou à Portela levado por Paulinho da Viola, na década de 1960. Integrou o Trio ABC da Portela, ao lado de Picolino e Colombo, e deixou sua marca em obras como Portela Querida, defendida por Elza Soares, e no samba-enredo O Homem de Pacoval, de 1976.

Noca venceu sete vezes a disputa de samba-enredo na Majestade do Samba, marca que o coloca como um dos maiores vencedores da história da agremiação. Entre seus sambas vitoriosos estão Recordar é viver, de 1985, Gosto que me enrosco, de 1995, Os olhos da noite, de 1998, e ImaginaRIO, 450 Janeiros de uma Cidade Surreal, de 2015.

Integrante da Velha Guarda Show da Portela, Noca construiu uma obra com centenas de sambas e se tornou uma das personalidades mais respeitadas do Carnaval carioca.

Neste momento de dor, a Portela se solidariza com familiares, amigos, parceiros de composição, admiradores e toda a comunidade do samba.

Noca da Portela deixa um legado de amor à música popular brasileira, ao samba e à nossa Majestade”.

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