FESTIVAL DE PARINTINS

Caprichoso canta a Amazônia, com seus povos e crenças, em busca do título de campeão em 2026

Um dos destaques foi o pajé Erick Beltrão, ao ser levitado durante o ritual, em uma cena marcada pela ousadia coreográfica

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Parintins (AM) ─ Com o subtema “Amazônia, o Chão da Vida”, o Boi Bumbá Caprichoso abriu a segunda noite de disputa do 59º Festival Folclórico de Parintins. O bumbá azul e branco do bairro da Francesa manteve sua proposta de exaltar a Amazônia, sua floresta e os povos que nela habitam, com suas crenças e lendas, e, em forma de manifesto, defender os povos originários e de sua biodiversidade.

Nos primeiros minutos de sua apresentação, o bumbá fez descer do alto do módulo, sustentado por guindaste, o Boi Caprichoso para o deleite de sua torcida, precedendo o primeiro grande momento: a lenda amazônica “Curupira, o Guardião da Vida”. Assinada pelo artista Roberto Reis, a alegoria composta por oito bases, com 27 metros de boca de cena, 26 metros de profundidade e 30 metros de altura na base principal, que traz a figura do Curupira.

Porta-estandarte Marcela Marialva em exibição

Foi desta alegoria que surgiu a cunhã-poranga Marciele Albuquerque, cujo figurino, também assinado por Roberto Reis, chamou a atenção. Durante sua apresentação, fez a sua transmutação de onça-pintada para onça-preta diante dos jurados.

Mais uma vez, Patrick Araújo, o levantador de Toadas, mostrou desenvoltura e segurança durante toda sua apresentação. Ele competiu no item toada, interpretando a música “Amazônia Nossa Luta em Poesia”. Essa composição foi criada em parceria por Ronaldo Barbosa, Edwan Oliveira, Edvander Batista e Erick Nakanome.

Outro grande momento do Caprichoso foi quando o amo do boi, Caetano Medeiros, prestou homenagem ao compositor Ronaldo Barbosa. Ele interpretou uma de suas composições, “Saga de um Canoeiro”, acompanhada em coro pela galera. Essa homenagem levou o emotivo Barbosa às lágrimas.

Fotografia vertical da arena do Bumbódromo de Parintins durante o festival folclórico de 2026. Ao centro, destaca-se uma gigantesca e colorida alegoria do Boi Caprichoso, que retrata figuras místicas da floresta e elementos da cultura indígena. Dançarinos com figurinos vibrantes em tons de azul, verde e penas exuberantes realizam uma coreografia em torno da estrutura cênica principal. No plano de fundo, os refletores iluminam a arquibancada lotada pela torcida organizada, que agita bandeiras azuis. Na parte inferior, os créditos fotográficos registram o trabalho de Mauro Neto, Tiago Corrêa e Eduardo Gomes.
Alegoria do Boi Caprichoso na segunda noite de apresentação no bumbódromo

A rainha do folclore, Cleise Simas, surgiu no momento destinado à Figura Típica Regional. Ela apresentou um desempenho forte, que é característico dela. Como fundo cenográfico, foi usada uma alegoria produzida por Márcio Gonçalves. Nessa alegoria, figurantes representaram pescadores e ribeirinhos, que, na concepção do Conselho de Arte, são guardiões dos rios e lagos e herdeiros dos saberes transmitidos pelos seus ancestrais. Ao mesmo tempo em que a Figura Típica Regional era celebrada na arena, o Boi Caprichoso, conduzido pelo tripa Edson Júnior, surgiu, como na primeira noite, no meio da galera, em uma interação com os torcedores.

Boi Caprichoso evolui sobre estrela azul do bumbá no meio de sua galera na segunda noite

Um destaque feito com ênfase pelo apresentador Edmundo Oran foi na apresentação dos três tuxaus concebidos pelo Conselho de Arte. Esses itens foram defendidos pelas “morubixabas”: Irá Maraguá, Ayla Hiskareana e a trans Lup Moara, que também é figurinista do Boi Caprichoso. Segundo Edmundo, esse foi um momento “histórico” por ser a primeira mulher trans a defender o item. As três deixaram por alguns momentos suas alegorias individuais de tuxauas para dançarem tanto na arena quanto no praticável colocado em frente à cabine de jurados.

A exaltação cultural foi outro ponto marcante na apresentação do Caprichoso com a “Festa do Povo da Floresta”. Ela exibiu na arena diversos ritmos da Amazônia, como o carimbó do Pará, o cacuriá do Maranhão, o samba de couro de Rondônia, o marabaixo do Amapá, o congo do Tocantins, a parixara de Roraima e o boi-bumbá do Amazonas. A alegoria produzida pelo artista Eddi Dude, serviu como elemento cenográfico para a manifestação cultural.

Alegoria produzida pelo artista Roberto Reis durante o momento da Lenda Amazônica na segunda noite do Festival Folclórico de Parintins

Foi neste cenário que surgiu para apresentação a porta-estandarte Marcela Marialva, que, como de hábito, exibiu arrojo sem perder a leveza, reafirmando seu protagonismo há nove anos defendendo o item.

O Caprichoso encerrou sua apresentação com a exibição do ritual de transcendência Assurini, cuja etnia está localizada no Xingu. Para dar mais originalidade, o momento contou com a participação do líder indígena xamânico Raimundo Assurini.

A alegoria produzida pelo artista Kennedy Prata, de grande efeito visual, apresenta múltiplos movimentos. Nela, o pajé do Caprichoso mostrou sua ousadia performática ao ser içado pelo espírito Mukaia em uma espécie de levitação, causando grande euforia na galera azulada.

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