Parintins (AM) ─ Por sete décimos de diferença, o Boi Bumbá Caprichoso conquistou seu 27º título de campeão no 59º Festival Folclórico de Parintins. O bumbá das cores azul e branco somou 1.259 pontos contra 1.258,3 pontos do Boi Bumbá Garantido, segundo a avaliação dos jurados. A apuração foi realizada nas dependências do Bumbódromo de Parintins, cidade localizada a 369 quilômetros de Manaus.
A apuração foi conduzida pelo presidente da comissão de jurados, Flávio Lago Perrucci, acompanhado por dois representantes de cada boi na mesa de apuração. A contagem das notas foi acompanhada pelo presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, e pelo presidente do Conselho de Artes, Erick Nakanome. Já o Boi Garantido esteve representado pelo presidente Fred Góes e seu vice-presidente Marialvo Brandão. A apuração transcorreu em clima tranquilo e de cordialidade entre os dois dirigentes.

Para se sagrar campeão, o Caprichoso levou para as três noites de apresentação o tema “Caprichoso: Brinquedo que Canta seu Chão”, uma trilogia sobre a ancestralidade, pertencimento e a relação do bumbá com a Amazônia.
PONTUAÇÃO

Na primeira noite, sexta-feira (26/06), os bois empataram em 419,7 pontos. Na segunda noite, 27/06, o sonho do Garantido de conquistar o título de bicampeão ficou mais distante. O Boi Caprichoso conquistou 419,7 pontos, enquanto o Garantido, na soma das notas, obteve 419,3 pontos, para a alegria dos torcedores azulados e o início da decepção dos encarnados.

De acordo com o resultado final, somando as notas por item, a maior perda do Garantido foi no bloco “A” (Comum e Musical): Apresentador: 59,9; Levantador de Toadas: 59,7; Batucada: 59,8; Amo do Boi: 59,8; Toada (Letra e Música): 59,8; e na Organização do Conjunto Folclórico: 59,9. No bloco “B” (Cênico e Coreográfico), Sinhazinha da Fazenda somou 59,9 pontos e a Coreografia, 59,8 pontos. No bloco “C” (Artístico), o Boi Garantido somou 59,7 em Alegorias.

EUFORIA E TRISTEZA

A apuração foi acompanhada por torcedores dos bumbás. Diferente dos anos anteriores, o número de torcedores azulados e encarnados foi bem maior. Como medida preventiva, os torcedores foram separados por uma barreira delimitadora. Os do Garantido ficaram na área vermelha do território, e os do Caprichoso, na área azul, tanto na arena quanto nas arquibancadas das galeras e cadeiras especiais, sob os olhares dos policiais militares da Rocam.
A cada nota atribuída, seja a máxima ou baixa, os torcedores se manifestavam, ora festejando notas altas, ora provocando quando o boi contrário recebia nota baixa.

Com quatro décimos de diferença a favor do Caprichoso, a euforia deu lugar ao sentimento de tristeza dos torcedores do Garantido. Alguns começaram a deixar o Bumbódromo diante da derrota.
Com o início da leitura das primeiras notas da última noite, o número de torcedores aumentou, acompanhando o sentimento de que não haveria como reverter a contagem das notas. Já os torcedores azulados, eufóricos, cantavam toadas e agitavam bandeiras nas cores do boi vencedor.
COMEMORAÇÃO
Na sala de apuração, o presidente Rossy Amoedo não esperou o fim da contagem para comemorar a vitória.
“Foi um momento muito especial para todos nós. Houve muito trabalho, muita doação e muita dedicação de um grupo que colocou amor e sentimento nessa vitória. Quero parabenizar todos os conselheiros do Caprichoso, na pessoa do presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome. Também agradeço ao diretor de Arena, Edwan Oliveira, e a toda a nossa diretoria. Reconheço os esforços dos itens individuais e coletivos, incluindo a Raça Azul, a Vaqueirada, a Marujada e todos que colaboraram para construir esse projeto. O Caprichoso merece esse título. Gratidão a todos.”, destacou.
O presidente do Conselho de Arte, Erick Nakanome, não conteve as lágrimas de emoção ao consolidar a vitória do Caprichoso. “Quando o festival é justo, o título vem para o Caprichoso. Tudo tem um propósito e um motivo. Confiem na gente”, disse emocionado.
Rossy Amoedo, acompanhado dos colaboradores, deixou o Bumbódromo pouco depois das seis horas, fazendo um curto caminho a pé até a entrada principal do templo dos bumbás parintinenses. Lá, ele embarcou em um pequeno trio que seguia pela Rua Cordovil. Essa rua limita a cidade com base nos bumbás e também abriga a casa e o terreiro onde morou um dos “donos” do Boi, Luiz Pereira. Depois, seguiram até o Curral Zeca Xibelão, localizado no bairro do Palmares. As comemorações se estenderam até a Praça da Catedral.


