Ganhador do prêmio Nobel de Literatura em 2010 e dos principais prêmios espanhóis, as obras do escritor foram traduzidas em 30 idiomas
Lima, Peru ─ Autor de vinte obras, entre romances, peças de teatro e ensaios, faleceu neste domingo em Lima, capital do Peru, o escritor Mario Vargas Llosa, um dos últimos expoentes da geração de escritores latino-americanos. Seu falecimento foi comunicado através da rede social “X” pelo seu filho mais velho, Álvaro Vargas Llosa. “É com profundo pesar que anunciamos que nosso pai, Mario Vargas Llosa, faleceu hoje em Lima”, escreveu Álvaro. A pedido do escritor, não haverá cerimônia pública, restrita somente a familiares. Seus restos mortais serão cremados.
Vargas Llosa nasceu em Arequipa em 28 de março de 1936, filho único de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta. Um ano após ser nascimento, o seus pais se separam e sua mãe se mudou para a cidade de Cochabamba, na Bolívia. Foi na cidade boliviana onde ele iniciou seus estudos e teve os primeiros contatos com a literatura época em que leu “20.000 Léguas Submarinas” do francês Júlio Verne, “O Árabe”, de Edith Maude Hull e “Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada” do chileno Pablo Neruda apesar da proibição da mãe.
Anos depois sua mãe retorna ao Peru, onde reencontra o pai que o obrigou a ingressar no Colégio Militar em Callao, província próxima a capital peruana. Em 1952 ingressa no jornalismo ao trabalhar no jornal La Crônica pelas mãos do pai, atuando como repórter da área policial e depois ingressa no jornal La Indústria.
Em 1953 ingressa na Universidade Nacional de San Marcos como aluno de Letras e Direito.
Sua estreia na literatura ocorre em 1959 ao publicar o primeiro livro, “Los Jefes”, uma coletânea de contos, publicados no suplemento El Dominical, do jornal El Comercio.
Em 1960 Mario Vargas Llosa mudou-se para Paris, onde conheceu outros dois escritores jovens, o colombiano Gabriel García Márquez, que pouco tempo depois lançaria seu livro mais famoso, “Cem Anos de Solidão” e o argentino Julio Cortázar, autor do livro Amarelinha. Os três, mais o escritor mexicano Carlos Fuentes, foram os responsáveis pela explosão literária latino-americana nas décadas de 60 e 70. Em 1973 a amizade com Gabriel García Márquez chega ao fim. Vargas Llosa desferiu um soco no rosto de escritor colombiano em um restaurante na Cidade do México, cuja causa do incidente jamais foi explicada. Vargas Llosa deixou para os biógrafos a tarefa de esclarecer os motivos do rompimento.

Seu primeiro grande sucesso literário veio com o romance “A Cidade e os Cães”, uma crítica ao sistema educacional militar, com o qual ganhou o primeiro prêmio literário Biblioteca Breve.
Dentre os livros que alcançaram grande sucesso de público estão “Casa verde” (1966) considerado um marco da literatura latino-americana; “Conversa na Catedral” (1969); “Pantaleão e as Visitadoras” (1973), “Tia Júlia e o Escrevinhador” (1997) um misto de autobiografia e ficção no qual relata o relacionamento com sua tia Julia Urquidi, com quem foi casado; e a “A Guerra do Fim do Mundo” (1981) baseado na Guerra de Canudos no Brasil e considerado uma das obras-primas.
Política
Paralelo ao sucesso literário, Mario Vargas Llosa acumulou polêmicas políticas. Admirador da esquerda na juventude, flertou com o regime comunista de Fidel Castro, com quem rompeu no início da década de 70, ao defender o poeta cubano Heberto Padilla, quando este foi obrigado pelo regime cubano a fazer uma autocrítica pública.
Se autodefinindo liberal após o rompimento com a esquerda, Vargas Llosa ingressa na política peruana ao seu candidatar em 1990 à presidência do Peru, sendo derrotado por Alberto Fujimori. Anos depois, em um ato controverso, viria apoiar a filha de Fujimori, Keiko.
Ao longo de sua carreira literária, Mario Vargas Llosa escreveu é 24 livros, cinco peças de teatro e 14 ensaios. (Com informações do jornal peruano El Comercio de Lima, Peru)


