Parintins (AM) ─ A nove dias da primeira noite de disputa do 59° Festival de Parintins, o Boi Bumbá Caprichoso iniciou na manhã desta quarta-feira o translado de 94 bases alegóricas do galpão central de alegorias. Esse translado levou os módulos alegóricos para a área de concentração do Bumbódromo de Parintins. O primeiro módulo a cumprir o percurso de pouco mais de 300 metros até chegar à concentração foi produzido pelo artista Kennedy Prata. Pesando pouco mais de três toneladas e com 15 metros de altura, a peça é o principal módulo do ritual indígena Maraká, do povo indígena Assurini,previsto para a segunda noite de disputa (27/06).

Segundo o presidente do Boi Caprichoso, Rossy Amoedo, foram contratados 200 empurradores de alegorias, chamados de “paikesés”. O translado contou também com a ajuda de membros das equipes dos artistas.
Além do módulo assinado por Kennedy, outros dois módulos, produzidos pelos artistas Algles Ferreira e Nildo Costa, foram levados para concentração
Segundo Kennedy Prata, a alegoria que servirá de cenografia para o ritual indígena na segunda noite é composta por nove módulos. Quando montada, terá uma boca de cena de 36 metros de largura, 22 metros de profundidade e 25 metros de altura. O pajé Erick Beltrão sairá dessa alegoria.


O translado, liderado por Rossy Amoedo, contou com a participação dos membros do Conselho de Arte, itens oficiais, Marujada de Guerra e a torcida organizada Raça Azul. Essa torcida carregava suas bandeiras nas cores do Caprichoso, azul e branco. Durante o evento, festejaram a saída dos módulos ao som de toadas executadas por paredões de som e pelos próprios marujeiros.


De acordo com os coordenadores do translado, 94 bases alegóricas serão levadas para a concentração. Lá, eles serão utilizados na montagem final das alegorias, na instalação de iluminação, nos pequenos acabamentos, nos testes de movimentos e nos últimos ensaios dos itens oficiais nas alegorias.
“Após meses de produção, as equipes iniciaram o traslado das alegorias para a concentração. Somente nesta primeira etapa, seis módulos seguem em comboio, mas a expectativa é transportar entre 30 e 50 módulos ao longo do dia”, afirmou o presidente Rossy Amoedo.
Mesmo com anos de experiência no Festival de Parintins, o artista Kennedy Prata viveu, mais uma vez, momentos de emoção ao acompanhar a saída das alegorias. É egresso da Escolinha de Arte do Boi Caprichoso e trabalhou com o próprio presidente Rossy quando era um dos artistas de ponta, além do falecido artista Juarez Lima.


“Foram quatro meses de trabalho. Primeiro mês de criação, desenhando como será nossa aparição e como faremos com o pajé. Depois dos desenhos, fazemos a maquete. Em seguida, três meses de execução da alegoria”, contou.
As bases alegóricas vão compor as quatro alegorias por noite, servindo de cenografia para a evolução dos itens oficiais nas três noites de apresentação. Na primeira noite (26/06) serão 28 bases; na segunda noite (27/06) serão utilizadas 31 bases; e na terceira e última noite (28/06), a apoteose da apresentação do Boi Caprichoso, serão utilizadas 35 bases, segundo informações do Conselho de Arte.
A maior alegoria a ser apresentada na arena é ritual indígena do povo Xicrin, com boca de cena com 40 metros por 18 metros de profundidade totalizando 720 metros quadrados, atingindo a altura de 23 metros com o maior número de bases alegóricas, 12 módulos, produzidas pelo artista Jucelino Ribeiro e sua equipe.
“Esse é um momento especial. Estamos levando para a arena todo o amor pelo Boi Caprichoso. Não tenho dúvidas de que faremos três grandes apresentações. Este trabalho é resultado de meses de esforço, talento, criatividade e, acima de tudo, muita fé no nosso boi”, destacou o conselheiro e diretor artístico, Edwan Oliveira.
O translado das primeiras bases foi encerrado com uma bênção ministrada pelo padre Benedito Azedo, que pediu proteção a todos os envolvidos nos trabalhos de preparação do Boi Caprichoso.


