FOLCLORE

Bois mirins encerram em grande estilo a 59ª Festividades Folclóricas de Parintins

Os bois mirins com suas crianças e adolescentes demonstraram que não ficam nada a dever dos bois adultos Caprichoso e Garantido

Com mensagens de inclusão, sustentabilidade e forte consciência social, os bois mirins Mineirinho, Estrelinha e Tupi encantaram o público no Anfiteatro Sila Marçal, encerrando com grande sucesso a 59ª edição das Festividades Folclóricas de Parintins.
Boi Mirim Mineirinho abriu as apresentações dos bumbás mirins encerrando 59ª Festividades Folclóricas
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Parintins (AM) ─ Os três bois mirins encerraram na noite deste domingo (14/06) a série de apresentações da 59ª Festividades Folclóricas de Quadrilhas, Danças e Bois Mirins de Parintins. Diante de um público que lotou o Anfiteatro Sila Marçal, crianças e adolescentes dos bois mirins Mineirinho, Estrelinha e Tupi, protagonizaram um espetáculo colorido com garra, criatividade, consciência social, inclusão e paixão popular, exaltando a história, as tradições e a riqueza cultural da Amazônia.

MINEIRINHO

A última noite dedicada aos bois mirins foi aberta pelo Boi Bumbá Mineirinho. O boi mirim com a cor preta predominante, apresentou o tema “Mineirinho, Meio Século de História e Tradição”. O tema contou a história da criação do boizinho como brincadeira de criança criado em 1976 pelo casal Leonor, torcedora do Caprichoso e seu esposo, Lelé, torcedor do Garantido.

Boi Mirim Mineirinho celebrou 50 anos de sua criação em sua apresentação na noite de domingo

O Mineirinho abriu sua apresentação com a celebração folclórica, tendo como cenografia o módulo representando a Catedral de Nossa Senhora do Carmo. Neste cenário surgiram os itens individuais, o apresentador Murilo Vinicius, o Amo do Boi Vinicius Cunha (representando Seo Lelé) conduziram a evolução, a Sinhazinha da Fazenda Maria Victória, cuja indumentária representou o Jubileu de Ouro do boizinho em homenagem a Rainha do Ouro Grayce Silva.

Outro grande momento do Boi Mirim Mineirinho foi a apresentação da lenda da Yara, protetora dos lagos, com a aparição da cunhã-poranga Alcione Tavares como a Encantaria das Águas.
O Mineirinho encerrou sua apresentação com o ritual indígena dos Apinajés em sua batalha com o povo morcego, os Cupendiepes, com a apoteose do pajé, item defendido por Guilherme Beltrão.

ESTRELINHA

O boi das cores verde e branco, o Boi Bumbá Mirim Estrelinha foi o segundo boi mirim a se apresentar com o tema “Amazônia Criança: Imaginário da Vida”. Fiel às suas raízes fundadas na promessa de Hudson Carmo na década de 1980, o Estrelinha abriu sua apresentação em frente à simbólica representação da Igreja de São Benedito. Em um manifesto contra o preconceito e a intolerância, o boizinho exaltou o “santo preto”, pedindo bênçãos para o espetáculo e ensinando a pluralidade religiosa desde a infância.

Segundo a se apresentar, Boi Estrelinha exaltou São Benedito destacando a fé religiosa

Um dos destaques do Estrelinha, o amo do boi, Henrique Gabriel, confirmou a sua condição de ser o mais experiente do festival, dando um show de carisma e improviso. O curumim emocionou o anfiteatro ao cantar “Meu Divino Salvador”, unindo a imponência do dono da fazenda à doçura da devoção infantil.

A Batucada do Estrelinha, sob a regência de Bruno Souza e Elian Rugman, fez o chão do anfiteatro tremer. Com as mãos tecendo o ritmo, os batuqueiros mirins demonstraram uma forte conexão com o meio ambiente, utilizando materiais que remetiam às palhas e aos saberes tradicionais passados de geração em geração.

Outro destaque do Boi Estrelinha marcou sua apresentação pela inclusão entre seus brincantes mirins de crianças neurotípicas (TEA, TDAH, dislexia), cadeirantes, quilombolas e ribeirinhas em todas as alas e itens da arena, provando que na arena das crianças não existem barreiras para a felicidade.

TUPI

Encerrando a noite de disputas, o Boi Bumbá Mirim Tupi coloriu a arena de laranja e branco com o tema “Raízes do Meu Lugar”. Com uma proposta embasada em fundamentação teórica, citando pensadores como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, a associação utilizou o anfiteatro como um poderoso instrumento de pedagogia cultural e defesa dos direitos da infância.

A apresentação do Tupi foi um show de criatividade e engajamento a começar pelo bloco musical com a apresentação da flautista Sofia da Silva Prata (9 anos) e a estreia do pequeno Nícolas Colares Garcia (6 anos) como apresentador. O levantador Isaac Pereira e o Amo Rayan Guilherme comandaram o ritmo da Batucada de Guerra.

Evolução da Sinhazinha da Fazenda do Boi Tupi que homenageou Markinho Azevedo

O boi homenageou seus fundadores e o eterno tripa do Boi Bumbá Caprichoso Markinho Azevedo, por meio de sua Escola de Artes. A Porta-Estandarte, Vitória Siderval (9 anos), surpreendeu ao trazer referências ao Frevo nordestino, simbolizando o intercâmbio cultural. O bloco de Vestidos Regionais deu um show de sustentabilidade, utilizando materiais recicláveis como copos descartáveis e garrafas PET.

Um momento marcante de sua apresentação foi a encenação da lenda de Jacurutu, o pesadelo da noite. O Tupi usou a figura do cacique antropófago que devorava crianças para fazer um manifesto real contra o abuso infantil e a violência. A noite seguiu com a evolução da Cunhã-Poranga, Layssa Gabriele (13 anos), que surgiu de uma enorme coruja. Outro momento singular foi a apresentação da rainha do folclore, Ayla Beatrice (07 anos), que deu um show de bailado e levantou a arquibancada.

O ritual Muraída trouxe uma forte crítica social contra o preconceito histórico sofrido pelo povo Mura. O Pajé José Romano (7 anos) finalizou com uma indumentária impressionante que trazia um crânio de jacaré.
O festival de quadrilhas, danças e bois mirins foi uma realização da Prefeitura de Parintins por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (Secult). (Com informações da Secom/PMP)

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