Parintins (AM) ─ O 59° Festival Folclórico de Parintins foi aberto na noite desta sexta-feira (26/06) pelo Boi Bumbá Caprichoso ao apresentar o primeiro ato do seu tema “Brinquedo que Canta seu chão” com muita criatividade e ousadia. Durante sua apresentação de 2h26min, o bumbá da Francesa trouxe para a arena do bumbódromo o subtema “Parintins, o chão de origem”.
Já nos primeiros minutos de apresentação o bumbá azul e branco proporcionou o primeiro momento impactante. Em um módulo alegórico içado com o boi alegórico, surgiu o boi conduzido pelo tripa Edson Júnior, o apresentador Edmundo Oran, o levantador de toadas Patrick Araújo o amo do boi Caetano medeiros, o Pai Francisco e a mãe Catirina, antecedendo a celebração folclórica com a figura típica regional, o brincador de boi. Neste momento folclórico a arena foi palco do Boi de Rua, com a participação de integrantes da Calçada da Fama, reduto tradicional de torcedores azulados, localizado na Francesa.

A alegoria retratou o cotidiano de Parintins retratando personagens como o compositor Chico da Silva no módulo central. Nela foram homenageados moradores de várias áreas da cidade por onde passou o Caprichoso.
A composição alegórica serviu para as aparições da porta-estandarte Marcela Marialva e a Sinhazinha da fazenda Valentina Cid que durante sua apresentação frente a cabine dos jurados chegou a “flutuar” sob o delírio da galera azulada.
Outro grande momento do Caprichoso foi a apresentação da lenda amazônica “Cobra Grande – a Deusa da Encantaria, que no imaginário popular é a guardiã da cidade-ilha de Parintins.
A alegoria assinada pelo artista Alex Salvador, usou e abusou de efeitos especiais, causando um grande impacto ao público presente. Dela surgiu a cunhã-poranga Marciele Albuquerque.
REI AZEVEDO

O público foi surpreendido e tomado de emoção quando o ex-amo do Boi Caprichoso, Rei Azevedo, voltou à arena após 23 anos para compartilhar versos com Caetano Medeiros. Rei Azevedo que na década de 90 liderou o Grupo Sangue Azul perdeu a visão por complicações decorrente da diabetes. O ex-amo levou a galera ao delírio ao fazer soar na arena o som do berrante que ele próprio introduziu em suas apresentações defendendo as cores do Caprichoso.
Fechando a primeira noite, o Ritual Indígena de Iniciação “Wat-Amã – O Ritual da Tucandeira”, do povo Sateré-Mawé, trouxe à arena uma homenagem à ancestralidade, à memória e à identidade indígena. A performance enalteceu os povos indígenas e teve como figura central o Pajé Erick Beltrão.
Concebida pelo artista Algles Ferreira, a alegoria apresentou uma abordagem inédita: uma tucandeira colossal, emblema da cultura Sateré-Mawé, guiou a entrada do Pajé Erick Beltrão em um panorâmico espetáculo cênico, envolvendo mais de 200 figurantes e surpreendendo a plateia pela potência visual e pelo simbolismo.


