

Parintins (AM) ─ A Confraria Calçada da Fama foi o destaque no Boi de Rua. Criada por um grupo de amigos e torcedores do Caprichoso com o objetivo de manter viva a história do Boi da Francesa, vem se consolidando como uma referência para os torcedores azulados. Para este Boi de Rua, a Confraria, localizada na Avenida José Esteves, prestou uma homenagem na noite de ontem. Essa homenagem chamou a atenção dos torcedores ao levar para a rua três bonecos gigantes. Os bonecos representavam o compositor Raimundinho Dutra, um dos fundadores do Caprichoso, Luiz Gonzaga, e dona Xica, que esteve presente por décadas membro da Marujada de Guerra.

Além dos bonecos, a diretoria da Confraria, liderada pelo presidente Delson Ramos, Afrânio Gonçalves e Weber Cardoso, decidiu produzir camisas para os membros da Confraria. Também criou chapéus típicos e porangas, que são lamparinas usadas no passado pelos seringueiros na extração do látex na floresta. Essas porangas eram usadas pelos brincantes dos bumbás de Parintins no século passado.
Os três bonecos foram a sensação da Confraria, motivando centenas de torcedores a fotografarem-se com eles.

A concentração dos membros da Confraria teve momentos marcantes. A primeira foi conduzida pelo tripa mirim oficial da Tarde Alegre do Caprichoso, Henrique Antony, de 7 anos, que levou seu boizinho até o eterno padrinho do Boi, Alcinécio Vieira, criado na rua Rio Branco, reduto do Caprichoso.
Visivelmente emocionado, Alcinécio Vieira recebeu a reverência do boizinho. “É uma felicidade de ver uma criança com espírito bovino, e para mim é uma alegria. É mais um pretendente que, ao crescer, brincará no boi. A maior alegria é dele, uma satisfação de estar debaixo do boi”, declarou Alcinécio, que já exerceu a presidência do Caprichoso e também foi “dono” do boi.


De fato, a Confraria Calçada da Fama começou o esquenta ainda pela manhã de sábado. No início da tarde, Alceo Alselmo, integrante do grupo César Moraes, compositor e sobrinho do também compositor Chico da Silva, tocou canto da mata no teclado e violão. Ele iniciou a parte musical cantando novas e antigas toadas, de sua autoria ou de outros compositores, incluindo Hugo Levy, que frequentava a calçada. Um momento significativo foi o encontro de dois poetas: César Moraes e José Cardoso, conhecido como Zezinho Cardoso. Ambos são autores de toadas que permanecem na memória afetiva de muitos torcedores. Um exemplo é “Vento Norte” de Zezinho Cardoso, que também escreveu uma das toadas mais belas, “Tempo de Trapiche”. Zezinho que compôs a toada em 1999 em homenagem a Afrânio Gonçalves.


Já César Moraes tem como toadas sempre requisitadas pelos torcedores “Eu Te Amo Caprichoso”, a belíssima “Matriarca”, “Sinfonia Cabocla” e “Liberdade em Poesia”.
A Confraria Calçada da Fama foi criada em 13 de maio de 1991 por um grupo de amigos, que se reunia no bar de propriedade de Zé Nilson, hoje sede da Confraria.


A Confraria foi fundada por Acinélcio Vieira, Eduardo Cruz, Geraldo Sávio, Adilson Macedo, Edivaldo Beltrão, Careca Beltrão, Amauri Picanço, Mauro Mendes, Maria Ferreira, Ariberto Picanço, Alcinei Vieira, além do atual presidente Delson Ramos, Meire Cardoso, Maria Rosa Barbosa, Zenilson e Arthur Teixeira. Este último foi quem sugeriu o nome da Confraria. Em comum, a maioria convive desde criança.


