Parintins (AM) ─ Com baixa presença de público, o Governo do Estado realizou nesta quarta-feira (13/05), a audiência pública para apresentação do projeto de ‘Ampliação e Modernização do Centro Cultural de Parintins – Bumbódromo’, realizada no auditório do CETI Gláucio Gonçalves. As obras de ampliação e modernização irão aumentar a capacidade de público, passando dos atuais 14.774 para um público de 25.055 espectadores, incluindo as galeras do Caprichoso e do Garantido.

Capitaneada pela Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra), a audiência pública teve como objetivo de ouvir moradores, representantes da sociedade civil e autoridades.
Realizado em formato híbrido (presencial e virtual), o encontro abriu espaço para que a sociedade conhecesse detalhes do projeto, esclarecesse dúvidas e apresentasse sugestões relacionadas às intervenções previstas para o principal palco da cultura popular amazonense.
A iniciativa reforça o compromisso do Governo do Amazonas com a transparência e a construção coletiva das ações voltadas ao fortalecimento do Festival Folclórico de Parintins, conforme a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado.
O secretário de Estado de Infraestrutura (Seinfra), Carlos Henrique Lima, ressaltou que a audiência pública representa uma etapa fundamental para garantir a participação ativa da população na concepção do projeto. Segundo o titular da pasta, todos os questionamentos e contribuições dos participantes serão devidamente respondidos, dentro do prazo estabelecido.
O novo projetoterá suas obras iniciadas em 2027, com término previsto para 2030.
“A fase de execução será realizada de forma gradual e contínua, em três etapas construtivas, permitindo que as obras avancem sem comprometer a realização anual do Festival Folclórico de Parintins”, assinalou o secretário da Seinfra, Carlos Henrique.
APRESENTAÇÃO DO PROJETO
Durante o encontro, os representantes responsáveis pelo projeto apresentaram os detalhes da modernização do Bumbódromo. A apresentação incluiu explicações sobre segurança, evacuação e entorno, desenhos arquitetônicos, etapas e planejamento da obra, concepção arquitetônica do projeto, além do legado da nova estrutura para a cidade.
O projeto foi desenvolvido pelo Consórcio Arena Parintins, com sede em São Paulo, composto pelas empresas Arena Events + Venues, Assessoria de Projetos Ltda — única empresa especializada em estádios e arenas — e a ARX Brasil Ltda, de origem suíça, no ramo de engenharia consultiva presente em mais de 50 países.
A ampliação do bumbódromo, após sua conclusão, terá 70.000 metros quadrados de área construída. A capacidade de acomodação na arquibancada das galeras dos bois Caprichoso e Garantido será aumentada: dos atuais 6.800 lugares atuais será ampliada para 15.862 torcedores (7.931 para cada bumbá); haverá um acréscimo de 20 camarotes próximos à pista, elevando o público dos atuais 3.022 para 3.615; e a arquibancada central, que hoje comporta 3.615 pessoas, passará a abrigar 3.912 após a reforma. O espaço para pessoas portadoras de necessidades especiais foi projetado para receber 522 pessoas (hoje comporta apenas 60). A novidade prevista no projeto é a inclusão de uma pequena arquibancada destinada à velha guarda de cada um dos bumbás.
Outras novidades previstas na ampliação são a destinação, para cada bumbá, de uma área de 1.500 metros quadrados; a criação de um memorial de cada boi para servir de visitação turística; acomodações para as equipes técnicas de sonorização e iluminação; nova entrada de alegorias, excluindo o prédio onde funciona a Secretaria de Comunicação; com altura máxima de pouco mais de 27 metros na entrada, podendo chegar a pouco mais de 36 metros nas alegorias já dentro da arena.
Segundo o arquiteto Carlos De La Corte, a proposta busca valorizar elementos visuais e simbólicos da cultura amazonense e da identidade artística de Parintins, preservando características históricas do espaço e incorporando soluções modernas de iluminação e cenografia.
“A ideia é manter a geometria do Bumbódromo, que tem um pouco dessa característica de cocar e desse octógono que marca bem a cabeça do boi, visto de cima, combinando com os traços diagonais da fachada, que fazem uma certa alusão à cestaria amazônica. Também conseguimos representar, por meio das cenografias das cores dos bois na iluminação externa, mantendo essa neutralidade: no modo diurno, o Bumbódromo mantém-se neutro, e no modo noturno, transforma-se completamente com luzes majoritariamente vermelhas e azuis”, detalhou o arquiteto.
PARTICIPAÇÃO POPULAR
Na audiência, inicialmente com a presença de 70 pessoas, ocupando menos da metade dos assentos do auditório do CETI, houve momentos de elogios ao projeto e também de insatisfação e apreensão reveladas. A principal delas é em relação à desapropriação de 22 imóveis, residenciais e comerciais, existentes nas ruas Batucada e Marujada, localizadas nas laterais do Bumbódromo. Alguns participantes assinalaram que uma das consequências é o desemprego, já que na Rua Marujada funcionam diversos comércios, a maioria de restaurantes ou lanchonetes.

Moradora da Rua Marujada, a professora aposentada, Faraônia Pimentel Monteiro, cujo imóvel também possui suítes alugadas na época do Festival e é um dos que serão desapropriados, demonstrou preocupação sobre a indenização. “Como será feita a avaliação? ” indagou, externando a apreensão dos demais moradores do entorno do Bumbódromo.
O chefe da assessoria para assuntos jurídicos da Seinfra, Anderson Ricardo de Souza Benchimol, realizou a avaliação feita pela Suhab, com base em critérios objetivos, como localização do imóvel, método construtivo e tamanho do terreno. Segundo o secretário de Cultura e Economia, Caio André, as desapropriações somente ocorrerão após a licitação da obra.
O servidor público, microempresário e conselheiro municipal das cidades, José Lito, observou que gostaria de uma discussão sobre o novo local do Bumbódromo. “Estamos perdendo um momento ímpar.” “O ex-governador Omar (Omar Aziz) fez a mesma coisa conosco em 2011, quando propôs uma ampliação do Bumbódromo. Ele dizia que ia melhorar o espaço, ia melhorar tudo. Mostrou algo semelhante ao que estão mostrando agora. E não foi isso que nós vimos. Foram gastos R$ 50 milhões”, completou.
O servidor público federal e compositor do Boi Bumbá Garantido, João Melo Farias, em sua participação, lembrou que parte do público não assiste à apresentação dos bumbás. “Quem já assistiu ao festival do meio para trás não vê nada. Só ouve.”

Lembrou que, em abril do ano passado (2025), escreveu dois artigos: um com críticas ao bumbódromo velho (construído pelo ex-governador Amazonino Mendes), apontando os problemas; e um segundo artigo, propondo novas soluções para o novo bumbódromo. “Do meio para trás, a arena é praticamente inútil para se ver o festival. A especificidade do Festival é feita para os jurados. O formato de arena que propomos foi o formato de arena grega”, afirmou, lamentando que a audiência tenha chegado tarde para que houvesse uma melhor contribuição.
Melo opinou sobre um novo espaço para o Festival. Segundo ele, na região do Parananema e Macurany, onde comportaria não somente o Bumbódromo, mas também espaço para os galpões dos bois, hotéis e demais equipamentos institucionais.
“Os imóveis que estão lá são mais baratos do que os que estão nas ruas Marujada e Batucada”, assinalou, acrescentando que, com um novo local, melhoraria a mobilidade na cidade.
Mais tarde, João Melo criticou o projeto apresentado, por ter excluído a identidade e a cultura parintinense com a fachada em estilo colméia, que lembra a estética da Arena da Amazônia.
AUSÊNCIAS
O prefeito Mateus Assayag, que está em viagem a Brasília acompanhado pelos presidentes do Caprichoso, Rossy Amoedo, e do Garantido, Fred Góes, além dos vereadores Fábio Cardoso, Alex Garcia e Juvan Medeiros, onde participou de sessão solene alusiva ao Festival de Parintins, foi representado pelo secretário de Obras, Albano Albuquerque. A Câmara de Vereadores foi representada pela vice-presidente, vereadora Márcia Baranda, e o Caprichoso, pelo vice-presidente Diego Mascarenhas. (Com informações da Secom/GOV)


