Conselho de Arte oficializa entrega de demandas para produção das indumentárias para as três noites de apresentação do boi da Francesa no 59° Festival Folclórico de Parintins
Parintins (AM) – O Conselho de Arte do Boi Bumbá Caprichoso entregou na tarde do último sábado (11/04), os layouts das indumentárias (fantasias) a serem produzidas pelas equipes de costureiras, dentro do projeto de boi de arena “Caprichoso, brinquedo que canta seu chão”. Nestes 73 dias que separam da realização do 59° Festival Folclórico de Parintins, as costureiras deverão produzir cerca de cinco mil indumentárias para as três noites de apresentação, nos dias 26, 27 e 28 de junho.
A entrega dos projetos de indumentárias foi feita pelo presidente do Conselho de Arte, Ericky Nakanome, e contou com a participação das conselheiras Socorro Carvalho e Peta Cid e do conselheiro Paulo Victor. Nakanome detalhou o cronograma de trabalhos nos ateliês e as metas a serem cumpridas por cada profissional envolvido na produção das indumentárias.

As costureiras são responsáveis pela produção das vestimentas dos grupos de bailados, vaqueirada, integrantes dos grupos cênicos, grupos tribais, das 1.200 indumentárias dos integrantes da Marujada de Guerra – 400 por noite de apresentação – indumentárias gigantes para vestir figuras produzidas pelos artistas de alegorias (pescador, caboclos e outros personagens) costuradas antes de serem montadas nos módulos alegóricos e camisas para o ensaio técnico.
Para as mulheres do setor de costura, o sentimento é de otimismo. Léa Ferreira, que atua há cinco anos no bumbá, projeta a vitória. “A expectativa é enorme. Estamos com todo o gás para iniciar a costura e o desejo é que tudo saia perfeito para conquistarmos o título que tanto almejamos”, afirmou.
Já Lorena Cantanhede, veterana com 15 anos de serviços prestados, destaca o peso simbólico de cada ponto dado na agulha. “Esse reencontro marca o início de um novo ciclo. Entramos com garra total. Cada costura carrega a história do Caprichoso e esse cuidado faz a diferença na arena”, ressaltou.
A história de Dona Iolene, 59 anos, confunde-se com a do próprio boi. Há dez anos no ateliê, ela é filha de Azemar Ferreira, segundo Tuxaua do bumbá após a era de Zeca Xibelão, e mãe do atual Tuxaua, Pablo Souza. Para ela, o trabalho não termina no corte e costura: após o expediente, ela corre para a arquibancada para ver sua obra ganhar vida. “Quando vejo nosso trabalho lá embaixo, bonito, a emoção toma conta. Já estou ansiosa para começar e fazer tudo lindo”, confessa.
Para a conselheira de Arte, Peta Cid, o momento é um resgate histórico. Filha da lendária Ednelza Cid, Peta cresceu entre carretéis e tecidos. “Ver esse grupo de mulheres me remete ao passado, ao ver minha mãe e tantas outras pioneiras iniciando essa arte no boi”, relembrou.
A também conselheira e comentarista de TV, Socorro Carvalho, enfatizou que confeccionar as indumentárias do Caprichoso é um ato de amor. “Hoje entregamos a carga de trabalho e as recebemos com o carinho que merecem, pois elas são a alma do Caprichoso. Ver a força feminina na costura do nosso boi é uma alegria imensa”, finalizou.
SAUDADE
O encontro também foi marcado por um momento de profunda emoção e religiosidade. O Conselho de Arte e as costureiras uniram-se em uma corrente de oração em homenagem a Cilica Farias, que faleceu na última semana em Parintins. Costureira dedicada e apaixonada, Cilica foi peça fundamental na confecção de indumentárias históricas, deixando um legado de talento, amor e precisão em cada detalhe que passou por suas mãos. (Com informações da Assessoria de Comunicação Boi Caprichoso)
