Decisão saiu após reunião do novo comandante do Exército com o Estado Maior da força
A primeira reunião convocada pelo novo comandante do Exército recém nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva com o alto comando do Exército, um colegiado composto por 16 generais de quatro estrelas, já produziu o primeiro resultado realizado na manhã desta terça-feira (24/01). O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid, ex-ajudante de ordens e um dos principais conselheiros do ex-presidente Jair Bolsonaro, não vai mais assumir o comando do 1º. Batalhão de Ações de Comando, uma unidade de elite do Exército sediada em Goiânia.
Oficialmente Mauro Cid enviou ao comando do Exército um pedido para “adiar” sua posse no comando do 1º. BAC, prevista para fevereiro.
Coronel Cid foi o pivô da exoneração do general Júlio César Arruda do comando do Exército no último sábado. O ex-comandante recusou exonerar o ex-ajudante a pedido do presidente Lula por meio do ministro da Defesa, José Múcio. Ele foi nomeado pelo ex-Presidente no ano passado. A sua permanência no 1º BAC era vista com preocupação pelo novo governo. A Unidade é de pronta ação e pode ser empregada em situação de graves distúrbios em Brasília, como a que ocorreu no último dia 8 de janeiro.
Além de ser do círculo íntimo do ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive viajando para Miami, Coronel Cid, é alvo de investigações no Supremo Tribunal Federal, suspeito de vazamento de informações sigilosas na investigação sobre um suposto ataque hacker ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral, divulgação de fake news e a mais recente, gastos do cartão corporativo pelo presidente Jair Bolsonaro.
O “adiamento” para assumir o comando do 1º. BAC foi uma saída negociada para que Mauro Cid, bolsonarista radical não assumisse um posto de comando do Exército.
Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o comando do Exército, o general Tomás Paiva prometeu ao presidente que tomaria as medidas defendidas por ele, mas faria tudo de forma negociada para evitar maiores tensões na Força.