Brasília (DF) – Com 49 votos, o senador Rodrigo Pacheco (PDS-MG), foi reeleito presidente do Senado na tarde desta quarta-feira, derrotando o candidato bolsonarista, senador Rogério Marinho (PL-RN) que obteve 32 votos em uma eleição polarizada. Pacheco foi apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por seis partidos, PSD, MDB, PT, PSB, PDT e Rede. O senador Eduardo Girão (Podemos-CE) desistiu de sua candidatura momentos antes da votação declarando voto a Rogério Marinho.
A eleição de Pacheco foi uma derrota para o bolsonarismo. Confirmou o favoritismo pela sua reeleição, apesar do número menor de votos estimados, onde alguns prognósticos chegaram apontar 55 votos. No entanto, nas duas últimas semanas a candidatura de Rogério Marinho, ex-ministro de Bolsonaro e oposição ao governo Lula, ganhou força.

A ala bolsonarista do Senado se movimentou em busca de votos. De Miami, onde está desde o dia 30 de dezembro, o ex-presidente Jair Bolsonaro se empenhou na busca de votos para Rogério Marinho, disparando telefonemas a seus correligionários.
A campanha em favor do ex-ministro de Bolsonaro se mostrou agressiva na última semana. A milícia digital bolsonarista disparou milhares de mensagens aos senadores, de cunho intimidatório e ofensivo aos parlamentares e até mesmo a seus familiares, conforme relatou Rodrigo Pacheco, um dos alvos dos milicianos durante pronunciamento e entrevista coletiva após a proclamação do resultado.
A pressão por votos em favor de Rogério Marinho aconteceu nos momentos que antecedeu a posse e eleição de Pacheco. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto esteve pessoalmente no Senado para encontrar o senador Romário (PL-RJ) que ainda não havia declarado voto. A ex-primeira-dama Michele Bolsonaro também esteve presente para prestar apoio a Marinho.
A eleição de Pacheco mostrou que o bloco bolsonarista não foi coesa em torno do candidato Rogério Marinho. O general Luís Eduardo Ramos, ex-ministro da Casa Civil de Bolsonaro, contabilizava 44 votos em favor de Marinho, que recebeu na votação, 32 votos.
Em discurso antes do início da votação, Rogério Marinho uso da retórica utilizada durante os quatro anos do governo Bolsonaro, de ataques ao Supremo.
“A polarização tóxica precisa ser erradicada de nosso país. Acontecimentos como os ocorridos neste Congresso Nacional e na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 não podem e não vão se repetir”, disse.
Em sua fala após a proclamação de sua vitória, Rodrigo Pacheco lembrou da tentativa de golpe no dia oito de janeiro e da polarização política implantada no País no governo passado.
“A polarização tóxica precisa ser erradicada de nosso país. Acontecimentos como os ocorridos neste Congresso Nacional e na Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 não podem e não vão se repetir”, disse. “A democracia está de pé pelo trabalho de quem se dispôs ao diálogo e não ao confronto. E continuaremos de pé, defendendo e honrando nossa nação” afirmou em outro trecho do seu discurso. (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)