Ladainhas do Garantido perderam a tradição com o fim da presença dos homens cantando as rezas em latim

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Maria do Carmo mantém a resistência da cultura popular em Parintins como a tradicional ladainha em Louvor a São João

Mulheres assumiram o lugar dos homens, diante do desinteresse das novas gerações em manter uma tradição de mais de oitenta anos criada por Lindolfo Monteverde

As tradicionais ladainhas em louvor a São João e Santo Antônio não desperta interesse do público, principalmente torcedores do Garantido

Parintins (AM) ─ Descendentes do criador do Boi Bumbá Garantido realizaram na noite deste sábado (24), a ladainha em louvor a São João no curralzinho da Baixa de São José, liderado por Maria do Carmo Monteverde, filha de Lindolfo e seu sobrinho, Raimundo Monteverde lideraram a celebração religiosa com a participação de nove senhoras de idade avançada. Elas substituem os homens rezadores que puxavam a ladainha com cânticos em latim por mais de 80 anos uma tradição do sagrado e o profano marca do Garantido iniciada pelo seu fundador. Maria do Carmo Monteverde lamenta que as novas gerações não se interessam em manter a tradição que pode se extinguir daqui a alguns anos.

 Como de hábito, a ladainha teve a presença de um público diminuto, pouco mais de 50 pessoas constituídas de descendentes e moradores do entorno do curralzinho da baixa. Nenhum membro da diretoria do Boi Bumbá Garantido esteve presente.

Com o falecimento dos homens rezadores contemporâneos do introdutor da ladainha, Lindolfo Monteverde, as mulheres tentam manter a tradição

Segundo Maria do Carmo, seu pai, Lindolfo falecido em 1979, chegou a reunir meia centenas de homens, a maioria católicos praticantes que o acompanhavam a ladainha, uma antiga forma de oração em forma de súplica, rezada ou cantada, introduzida nos primeiros séculos do Cristianismo.

“Meu pai tinha mais de cinquenta homens com ele”, lembrou Maria do Carmo.

Em sua simplicidade, ele classifica de crise a perda dos rezadores que rezavam junto com seu pai Lindolfo Monteverde.

“Ele vivia felicíssimo quando ele tinha aquele grupo de pessoas que rezavam, cantavam, se sentiam bem, se sentiam felizes e especialmente com o Garantido”, afirma.

A falta de renovação de rezadores e puxadores de ladainha é atribuída por Maria do Carmo ao desinteresse das gerações que se seguiram, talvez por falta de engajamento na prática religiosa.

“Eu fico muito triste porque não se interessam mais. O celular e a televisão ‘apagou’ eles”, declara ao seu modo, em uma alusão às mudanças de comportamento das novas gerações.

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