História contada pelo ex-apresentador e ídolo da torcida do Boi Bumbá Garantido, Paulinho Faria falecido no ano passado, em sua página no Facebook. Em respeito à sua memória reproduzimos texto que ele postou em sua rede social

Fotos: Reprodução/Facebook pessoal de Paulinho Faria
Numa tarde de junho de 1984, uma carreata do Caprichoso com carros, motos e bicicletas, passou pela casa da minha mãe, pela Rua Cel. José Augusto, e vários objetos foram atirados para dentro do quintal, como pedras, garrafas e pedaços de madeira. Garrafas foram atiradas também contra o muro da casa, onde existia uma pintura com o slogan do Garantido daquele ano. Ela então, após o grande susto, ligou para o meu irmão Omir Faria em Belém para contar do ocorrido. Chorando ao telefone, ela recebeu a seguinte resposta: “Mamãe, eles jogaram pedras, nós vamos jogar perfume”. Nesse momento Omir teve a ideia de fazer com que o Garantido desse um banho de cheiro na arena.
Foi assim que em março de 1985, ele comprou com seus próprios recursos, 08 enormes galões de essência de patchuli, embarcou em uma embarcação de recreio em Belém, para que um boi gigante (ideia de Zezinho Faria) executada pelo artista Jair Mendes, que ficou conhecido como belezão, desse o banho de cheiro na apresentação do Garantido.
Era necessário pulverizadores para borrifar a essência, e nós (loja jotapê) compramos 4 maquinas na Casa do Criador na Praça Cristo Redentor. Como não ficaria bem o grande boi entrar empurrado na arena, era preciso um carro para levar a alegoria, e o primeiro carro usado para levar o belezão foi um dodge polara branco do Emerson Maia, que foi dirigindo o veículo ao lado do Zezinho.
No dia da apresentação, para a surpresa de todos, a essência aromática se espalhou por toda a arena e arquibancadas, levando os torcedores ao delírio. No 2º ano, o Zezinho pediu um carro modelo buggy emprestado do Osório Nogueira que era menor e mais baixo, ideal para apresentação, e ele, Osório cedeu imediatamente seu carro, e fez questão de ir dirigindo na apresentação, e continuou por vários anos dando sua colaboração. O Omir mandou ainda alguns frasquinhos com a essência, que foram entregues aos jurados na hora da apresentação por sua filha Aisha, ideia seguida pelo contrário no ano seguinte (cds, camisas, revistas, etc), o que mais tarde foi proibido pela comissão julgadora.
O belezão entrou jogando a cagila aromática por 6 anos, com o Omir comprando e mandando a essência todos os anos. Esse projeto vitorioso contribuiu para várias vitórias, mas infelizmente foi abortado por diretorias posteriores.