Blocos da Chave Especial encerram desfile do Carnailha

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Após o desfile dos blocos o circuito Carnailha lotou com o Carnaboi. (Foto: Júnior Preto

Cinco dos seis blocos da Chave Especial se apresentaram nesta noite após a chuva que obrigou a suspensão das apresentações nesta segunda-feira

Parintins (AM) ─ Cinco blocos fecharam na noite desta terça-feira da Chave Especial do Carnailha 2026, cujo desfile na segunda-feira foi suspenso devido a uma forte chuva, em meio a apresentação do bloco Os Metralhas. Os desfiles antecederam o Carnaboi dos bumbás Caprichoso e Garantido que terminou na madrugada desta quarta-feira, reunindo centenas de brincantes das duas associações folclóricas. O adiamento dos desfiles aumentou a euforia e garra dos componentes dos blocos Bad Boy, Império dos Palmares, FAX, Unidos do Itaúna e Rubro Negro, fechando a parte competitiva dos desfiles iniciados no domingo com os desfilhes dos blocos da Chave Irreverentes.

BAD BOYS

O bloco Bad Boys abriu o desfile no circuito Carnailha na Avenida Paraíba apresentando o enredo “Parintins abraça forte o Japão no centenário da imigração”, exaltando a imigração japonesa e em especial na Região Amazônica.
Sua comissão de frente, com 12 componentes, fez alusão aos samurais, cujas fantasias confeccionadas pelo estilista Otávio Muniz chamou a atenção pelo bom acabamento, sendo um dos destaques, chamando a atenção durante o trajeto. Muniz também assinou a fantasia da rainha do bloco Mel Marinho.

Comissão de frente fez uma referência aos samurais ao homenagear a imigração japonesa no Amazonas. (Foto: Eduardo Gomes)


A ala coreografada “Tem festa na Vila Amazônia” com 40 componentes fez alusão a primeira safra comercial de juta, introduzida pelos imigrantes japoneses na Vila Amazônia.

IMPÉRIO DOS PALMARES

Segundo bloco a desfilar, o Império dos Palmares levou para o circuito Carnailha, o enredo “A menina dos olhos da Amazônia: Presidente Figueiredo”, desenvolvido pela carnavalesca do bloco Jéssica Menezes, uma exaltação ao município próximo a Manaus, conhecido como a Terra das Cachoeiras.

A Império dos Palmares trouxe em sua comissão de frente a representação do Galo da Serra ave símbolo de Figueiredo. (Foto: Eduardo Gomes)


Sua comissão de frente denominada “Guardiões Galo da Serra” foi uma alusão a ave símbolo do município, antecedendo ao tripé representando uma caverna onde, segundo registros, o líder indígena Maroaga teria se refugiado ao resistir a construção da BR 174, rodovia ligando Manaus a Boa Vista. Maroaga era da etnia Waimiri-Atroari, habitantes da região e que quase foram exterminadas por expedições punitivas. A rainha do Bloco, Leilane Souza, representou a onça-pintada. O bloco apresentou ainda ala sincronizada com apelo à preservação, sustentabilidade e a união entre a natureza e o ser humano.

FAX

Com o enredo “Força, Resistência e Coragem”, um manifesto em defesa das mulheres, o bloco FAX, terceiro a desfilar na noite desta terça-feira, não se limitou apenas em homenagear as mulheres, mas a de destacar a força feminina em superar as adversidades, buscar seus direitos.

O Bloco FAX trouxe além da exaltação às mulheres, o manifesto em defesa do universo feminino. (Foto: Eduardo Gomes)


Já abrindo seu desfile, o bloco trouxe em sua comissão de frente dez mulheres indígenas, representando a interação entre a existência das mulheres e a preservação ambiental. Segundo a visão do bloco, elas são as guardiãs da terra de da vida.
O bloco trouxe uma ala representando mulheres de terreiro de Parintins da religião de matriz africana, as “Mulheres do Axé” que tem na mãe de santo Bena como sua expoente na cidade.
Outro destaque do FAX foi o carro alegórico que reverenciou indígena potiguar Clara Camarão, considerada a primeira mulher heroína na luta conta a invasão holandesa no Nordeste no século XVII. O carro trouxe ainda três destaques representando as mulheres negra, branca e índia.

UNIDOS DO ITAÚNA

A Unidos do Itaúna, quarto bloco a desfilar, trouxe para a passarela do circuito o enredo “Itaúna e suas histórias” ao contar a saga da criação do bairro em 1992, a partir de ocupação das terras que abrangiam a “Fazenda Itaúna”, atualmente a região mais populosa da área urbana de Parintins.

Casal de porta-bandeira Franciele Mendes e mestre-sala Breno Carneiro evoluem defendendo as cores verde e rosa do Unidos do Itaúna


A comissão de frente representou os primeiros posseiros no seu trabalho de ocupação da área para a construção das primeiras habitações. O casal de mestre-sala Breno Carneiro e a porta-bandeira Franciele Mendes, evoluíram com leveza ao longo da passarela.
Durante o desfile, o Unidos do Itaúna trouxe representações do bairro como feirantes da Feira da Conquista e a procissão de São Sebastião. O carro alegórico fechando desfile, trouxe a representação de bolos comemorativos, os aniversários dos bairros Itaúna I, Itaúna II, Paulo Corrêa e o aniversário do Bloco que neste ano comemora 33 anos, segundo seus dirigentes.

RUBRO NEGRO

Último bloco a desfilar da Chave Especial, o Rubro Negro entrou na passarela em busca do bicampeonato trazendo como enredo “Guerra na Mundurukânia: Mura x Mundurukus”, contando a saga dos embates entre as duas etnias na região do Rio Tapajós no Pará. Os embates por pouco não resultaram na extinção dos Mura que precisou fazer aliança com o invasor português contra os inimigos.

Rubro Negro foi buscar nas lutas entre os povos Mura e Mundurukus enredo para conquistar o bicampeonato. (Foto: Eduardo Gomes)


O embate foi representado na Comissão de Frente, cuja coreografia leva a assinatura do pajé do Boi Bumbá Caprichoso, Erick Beltrão e Neto Beltrão.
O carro alegórico confeccionado pelo artista Pingo Souza e sua equipe reproduziu as duas etnias.

DESFILE ADIADO

Uma forte chuva desabou na segunda-feira, dia destinado aos blocos da Chave Especial, quando da apresentação do bloco Os Metralhas, obrigou a Prefeitura a transferir o desfile para esta terça-feira, com o Carnaboi. A decisão foi tomada pelo prefeito Mateus Assayag. A chuva afastou o público, tanto que o bloco desfilou diante das arquibancadas vazias.
Mateus Assayag decidiu encerrar os desfiles conforme alegou para preservar o público, componentes dos blocos e das pessoas que trabalham na organização e apoio do Carnailha, diante dos riscos de descargas elétricas e consequentemente causar acidentes, já que os equipamentos de iluminação e sonorização funcionam com energia 220 volts.
Em reunião com os presidentes dos blocos, Mateus acertou que os desfiles dos blocos começaram às 18 horas em ponto, com o tempo reduzido de 20 a 25 minutos no máximo. Pelo regulamento o tempo de apresentação de cada bloco é de 30 a 40 minutos.

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